Era 1971, o arcebispo de Belo Horizonte, Dom João Resende Costa e sua equipe, preparavam as comemorações para os 50 anos de Arquidiocese. Em meio às ideias, surge um projeto de ação bíblica para todos os fiéis, leigos e consagrados. Ótimo! Comemorar o aniversário com a Palavra de Deus. E quando seria essa ação?  Em setembro, mês de São Jerônimo, um dos maiores biblistas do Catolicismo.

Mineiramente, a ideia ganhava força e se espalhava até chegar ao Serviço de Animação Bíblica das Irmãs Paulinas, que aderiu ao movimento e nos posteriores propagou setembro como mês dedicado à Bíblia. A devoção foi tanta, os grupos de estudo bíblico se multiplicaram de tal forma que não teve jeito, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) assumiu a data e instituiu oficialmente a celebração por todo o país.

O crescimento foi tamanho que, atualmente, além do Brasil, vários países da América Latina e África dedicam o mês de setembro à celebração da Bíblia.

O responsável pelo mês nove ser dedicado às Escrituras é São Jerônimo, dono de uma história belíssima com a Palavra. No ano 382, o então Padre Jerônimo foi chamado pelo papa Dâmaso para ser seu secretário particular. Já em Roma, recebeu a incumbência de traduzir a Bíblia, do grego e do hebraico para o latim. Neste trabalho, ele dedicou quase toda sua vida. O conjunto final de sua tradução da Bíblia, em latim, se chamou “Vulgata” e se tornou oficial no Concílio de Trento. Por isso, desde 1947, já se celebra o Dia da Bíblia em 30 de setembro, data de falecimento do santo.

Tal trabalho merece ser exaltado sempre, como diz o bispo emérito da Diocese de Jales (SP), Dom Demétrio Valentini. “Traduzir a Bíblia, como fez São Jerônimo, não consiste só em colocá-la na linguagem de hoje. É sobretudo indicar a maneira atual como Deus continua nos falando. Se nos damos conta de como ele falou, entenderemos como ele continua nos falando”.

Bíblia e juventude

Como fazer o jovem ter o hábito de leitura e estudo das Sagradas Escrituras? Responder tal questionamento é um desafio. Em um contexto social em que para que a juventude se interesse por algo, o objeto deve ser atrativo, criativo e inovador, um livro grosso e antigo não parece ser a melhor das opções. E justamente aí mora a essência primordial, citada inclusive pelo Papa Francisco.

O pontífice lembra que a Bíblia não é apenas um livro comum de história, tido por muitos como chato. “Embora a Bíblia contenha palavras e histórias humanas, as palavras da Bíblia são tomadas do Espírito Santo, que dá uma força muito grande, uma força diferente que ajuda para que essa Palavra seja semente de santidade, semente de vida”.

Conectado com a realidade juvenil, o papa ressaltou ainda que não é preciso carregar um calhamaço consigo, basta levar a vontade de se comunicar com Deus. “Hoje se pode ler o Evangelho também com muitos instrumentos tecnológicos. Pode-se trazer consigo toda a Bíblia num telefone celular, num tablet. O importante é ler a Palavra de Deus, com todos os meios, e acolhê-la com o coração aberto. E então a boa semente dá fruto!”.

Portanto,  vamos dar orgulho ao Santo Padre! Comecemos por setembro. Uma ideia criada nas terras tupiniquins deve ser praticada primeiramente por nós, os inventores. Sim,  é difícil, porém faz parte da caminhada de um seguidor superar os desafios e sacrificar-se para semear a Boa Nova.

Michael Franco

Arquidiocese de Campo Grande – MS