Ao viver a Semana Santa, o Cristão deve se transformar em alguém novo
É tempo de renovação, reflexão e lembrar que, assim como Jesus, muitos sofrem com flagelos e chagas sociais sem esperança
Dias que “marcam as etapas fundamentais de nossa fé e de nossa vocação no mundo”. Assim o Papa Francisco descreve a Semana Santa. O valoroso significado da data ganha caráter de compromisso por meio da convocação do pontífice. “Todos os cristãos são chamados a viver estes dias santos como a ‘matriz’ de sua vida pessoal e comunitária”. O líder da Igreja Católica propõe a vivência profunda nos dias santos, com extrema atenção ao sentido deles, para que que o coração e a vida do Cristão sejam realmente transformados.
No entanto, com a correria típica da sociedade contemporânea e as provações diárias, é possível refletir e viver de forma intensa o significado da data? Pode parecer complicado, porém é totalmente viável. Quem confirma isso é o Arcebispo Metropolitano de Uberaba (MG), Dom Paulo Mendes Peixoto ao ressaltar em artigo que os obstáculos devem fortalecer. “As dificuldades encontradas não são fracasso nem caminho sem saída. Levam a firmar a esperança na luta por uma vida sem obstáculos. Foi o que aconteceu com Cristo, no trajeto da Paixão. Em todo o caminho, passou por diversos atos de humilhação”.
Para cumprir o desafio é necessária, primeiramente, uma autoavaliação sobre a atuação como Cristão na individualidade e comunidade. Dom Paulo Mendes Peixoto lembra que deve ser um tempo de recolhimento, interiorização e abertura do coração e da mente para o Deus da vida. Significa fazer uma parada para reflexão e reconstrução da espiritualidade, essencial para o equilíbrio emocional e a segurança no caminho natural da história de vida com mais objetividade e firmeza.
Outro fator que caminha ao lado da análise interior é a caridade. O Papa Francisco pede que a doação e o olhar aos vulneráveis sejam aguçados na Semana Santa. “O próximo, sobretudo o menor e mais sofredor, torna-se a face concreta à qual precisamos doar o amor que Jesus nos doou. De pé, podemos compartilhar a humilhação daqueles que ainda hoje, como Jesus, estão no sofrimento, na nudez, na necessidade, na solidão, na morte, para ser, graças a Ele, instrumento de resgate e de esperança, sinais de vida e de ressurreição”.
As práticas da semana alcançam a Sexta-feira Santa, o dia da Paixão. Celebração da morte do Senhor. Dia de jejum, abstinência, respeito, silêncio e simplicidade, em que devemos contemplar a dor e o sofrimento de Jesus. O clero aconselha a refletir sobre a absolvição de todos os pecados da humanidade.
Sabendo da condição e atuação de fé, caridoso, respeitoso e ciente da dor de Jesus, o Cristão deve se preparar para a ressureição do Senhor. O padre Alberto Pasquoto explica como deve ser o comportamento no chamado ‘Sábado de Aleluia’. “Dia de silêncio e respeito, pois Jesus está morto, sepultado e desceu à Mansão dos Mortos. Celebra a memória da noite santa, em que Jesus ressuscitou, e é considerada a mãe de todas as santas vigílias. É o cume do ano litúrgico”.
Chega o domingo de Páscoa. O grande dia do Senhor, data para exaltar a vitória de Cristo sobre a morte. Os cristãos são convidados a viver na esperança e alegria. Papa Francisco explica que na manhã de domingo pode-se ouvir “o canto do anúncio da ressurreição. Um anúncio de alegria e de esperança, mas também um apelo à responsabilidade e à missão”. Seguindo o exemplo de Jesus, devemos morrer para as coisas mundanas e renascer como novas criaturas, renovadas e responsáveis por evangelizar.
Com tantas recomendações, obrigações, reflexões e atitudes a serem realizadas, uma prática parece resumir a representatividade da Semana Santa na vida do Católico: seguir o exemplo de Cristo. Açoitado, esbofeteado, insultado e cuspido. Em nenhum sofrimento fez desistir da missão nem ter atitude de vingança. Ele deixou claro que o perdão é mais forte que a vingança. Neste sentido, o Papa conclui que “um cristão, se verdadeiramente deixa-se lavar por Cristo, se verdadeiramente deixa-se despojar por Ele do homem velho para caminhar em uma vida nova, mesmo permanecendo pecador, não pode mais viver com a morte na alma, nem ser causa de morte”. Renovem-se, transformem-se.