Meus irmãos, estamos em setembro, mês da Bíblia, segundo a doutrina católica brasileira. Este mês é marcado por diversas ações que visam fortalecer e aprofundar nossa relação com Deus. Este livro sagrado é uma compilação de vários livros em que é possível acompanharmos a história da civilização e formação do Cristianismo.

Tradicionalmente, a Bíblia é “dividida” entre Antigo e Novo Testamento. Ao contrário do que muita gente acha, estes livros não são totalmente distintos, mas complementares. O Antigo Testamento prediz um Messias, enquanto o Novo Testamento revela quem é o Messias; o Antigo é o fundamento que constrói o Novo e pelo qual este registra o ministério de Cristo.

Infere-se, portanto, que Cristo veio ao mundo para que a Lei de Deus saísse da escrita e fosse vivida em sua carne. Ele não enfrentou ou questionou o Antigo Testamento, mas deu-lhe cumprimento, mostrando, na prática, como se dá o amor de Deus por nós: “Não penseis que vim destruir a Lei ou os Profetas. Eu não vim para anular, mas para cumprir.” (Mt 5:17).

Construído a partir de Deus que se fez carne e habitou entre nós, o Novo Testamento tem como coração os quatro evangelistas. Antes de comentar cada um deles, visto que é impossível aprofundá-los neste artigo, é necessário passar pelo conceito dos evangelhos.

Derivado da palavra grega evangélion, que significa “boa notícia”, estes livros testemunham a vida de Jesus na Terra.  Luís Gustavo Conde discorre[1]:

 

“O nome de cada Evangelho indica seu vínculo com a missão apostólica, pois não são uma biografia completa da vida de Jesus Cristo, e sim testemunhos de Seus seguidores. Vez ou outra, esses testemunhos narram os mesmos fatos e trazem pequenos detalhes que se diferenciam entre si. Ao contrário de causar confusão, essas diferenças devem ser instrumento de uma ampla compreensão, pois é como ouvir a mesma história de pessoas diferentes, onde cada detalhe foi melhor percebido por cada um.”

 

Delineado o conceito trabalhado, passemos a tentar compreender cada um dos Evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João. Destes, dois acompanharam a vida e ministério de Jesus, Mateus e João; enquanto Marcos e Lucas fizeram seus relatos a partir do que ouviram e conviveram.

Mateus foi um dos doze apóstolos de Cristo, e discorre, em seu Evangelho, como Jesus cumpriu as profecias do Antigo Testamento sobre o Messias; registrando, também, ensinamentos morais de Jesus, como o Sermão da Montanha[2].

Marcos foi um companheiro dos apóstolos Pedro e Paulo. Ele provavelmente escreveu seu evangelho a partir de tudo que ouviu de Pedro. O evangelho de Marcos foca principalmente nas ações de Jesus e seu poder para realizar milagres[3].

Lucas era um médico, amigo de Paulo. Ele escreveu seu evangelho para um senhor chamado Teófilo. O objetivo de Lucas era escrever um relato digno de confiança. Por isso, ele pesquisou tudo com cuidado e rigor, procurando fontes seguras (Lucas 1:3-4). O evangelho de Lucas contém vários detalhes sobre a família e as origens de Jesus[4].

Mais longo dos Evangelhos, o de São Lucas narra algumas das histórias mais conhecidas do Cristianismo, como o nascimento de João Batista (Lc 1:25, 57-80); narrativa tradicional do Natal (2:1-20); Jesus criança perdido no templo e ensinando aos doutores da Lei (2:41-52); filho pródigo (16:19-31); dentre outros[5].

João foi outro apóstolo e um dos amigos mais próximos de Jesus. Seu evangelho é bastante diferente dos outros três porque procura contar outras partes da vida de Jesus, talvez menos conhecidas. João escreveu seu evangelho com o objetivo de ajudar as pessoas a crerem em Jesus (João 20:31).

O Evangelho de João distingue-se dos demais porquanto João narra “apenas” sete milagres de Cristo, deixando sua escrita não apenas para tratar dos milagres, mas da doutrina de Cristo, descrevendo cada milagre em detalhes, deixando sempre uma mensagem profunda por trás de cada um. A exemplo disto, tem-se as Bodas de Caná, primeiro milagre de Cristo intercedido por sua mãe. Vejam quanta riqueza há neste Evangelho que rendeu diversos escritos e interpretações.

Infere-se, portanto, que os quatro evangelistas do Novo Testamento revelaram um Deus até então desconhecido das Antigas Escrituras. Enquanto o povo esperava um rei com armadura para libertar os hebreus, Jesus chegou com a túnica; esperavam a guerra, mas Jesus trouxe o amor; esperavam o julgamento dos pecadores, Jesus os acolheu; por fim, esperavam a divisão e elevação do seu povo, mas Jesus trouxe a partilha e juntou todos que tinham fome à mesa.

Passemos a aprofundar e acompanhar diariamente os estudos bíblicos, máxime, dos evangelhos, que nos mostram a verdadeira face de Cristo e nos permite refletir, para que sejamos pessoas cada vez melhores.

 

Raul Messias Lessa

Paróquia de Santa Catarina Labouré

Arquidiocese de Maceió- AL

 

 

[1] CONDE, L. G. Os Evangelhos são o coração das Sagradas Escrituras. Portal Canção Nova. Disponível em: https://formacao.cancaonova.com/igreja/catequese/os-evangelhos-sao-o-coracao-das-sagradas-escrituras/. Acesso em 18 de set de 2022.

[2] Evangelhos: o que são e porque são quatro. Portal Respostas Bíblicas. Disponível em: https://www.respostas.com.br/os-quatro-evangelhos/. Acesso em 18 de set de 2022.

[3] Idem, ibidem.

[4] Idem, idibem.