“Todos perseveravam unânimes na oração, junto com algumas mulheres, entre as quais Maria, mãe de Jesus” (Atos 1,14).

 

O amor quando é realmente bonito não pede recompensas, não faz permutas e nem promessas. Ele é amor e mais nada. Não há palavras que o descreva, o explique, o traduza. Só há esse sentimento tão imenso e, embora tão grande, se alaga a cada colo, a cada abraço, a cada gesto de amor sem fim.

Ser mãe também é isso: Se alargar o tempo todo para alcançar o céu e doar mais e mais amor. Desconfio que mãe é uma espécie de oração, daquelas que a gente já nasceu rezando.  Num belo dia, dissemos a primeira sílaba (MÃ), depois veio a primeira palavra (MÃE), surgiram alguns versos e depois estrofes inteiras. É uma oração que nos acompanha em todos os momentos e, sim, não nos esquecemos de rezá-la mesmo nos dias em que a pressa nos chama para dormir mais cedo. 

É a oração que nos ensina as primeiras letras, que compra o nosso material escolar e nos apresenta a escola. É a mãe que chora ao nos deixar na porta da vida e, ansiosa, nos espera em casa. É a oração que não se cansa de repetir a mesma pergunta de sempre: O que aprendeu hoje? Quiçá uma estrofe de Drummond: “Mãe não tem limite/É tempo sem hora/Luz que não apaga/Quando sopra o vento/E chuva desaba/Veludo escondido/Na pele enrugada/Água pura, ar puro/Puro pensamento”. 

É a mãe que faz almoço para uma multidão, porém sempre se lembra do prato predileto do caçula, do mais velho, da que nem está presente, mas ela faz questão de lembrar e de evidenciar a presença de quem, pra ela, nunca foi embora. As mães quase sempre se esquecem dos seus pratos prediletos, mas decoraram o gosto de cada filho, de cada amigo do filho, da preferência do filho que ainda virá. 

Uma oração que acompanha o filho na realização dos seus sonhos ainda que ela mesma ainda não tenha tido tempo de sonhar. Um amor tão gratuito que, por vezes, se dedica exclusivamente ao dom de ser mãe. Uma mãe não empresta só uma caneta de vez em quando, ela doa o seu computador, o seu guarda-roupa, o celular e a sua coleção de vasilhas bonitinhas. Aliás, isso não. Pausa.

É a mãe que leva o filho à igreja, que o vê batizado e está lá com ele em sua Primeira Eucaristia. É a oração que o acompanha nos sacramentos e, assim como Maria, ela não desiste da sua missão evangelizadora. É a mãe espiritual, aquela que é também a guardiã e protetora dos valores espirituais e carrega consigo no tempo uma parte do eterno. 

É a oração que aprendeu a enganar o sono. Ela sofreu anos e anos para recuperá-lo. Foi em vão! As mães não dormem, é que de tão geniais, as danadas viraram despertador. Parece brincadeira, mas tentar enganar uma mãe despertadora é a maior perda de tempo de um filho: As mães sempre estão na hora certa.

Mãe é oração até quando viu seu filho ir embora para sempre. É oração quando sequer teve a oportunidade de tocar o rosto da sua maior esperança. É oração quando o manteve em seu coração de mãe que nunca abandona um filho. Ele sempre vai estar ali. E ela para sempre reservará o seu lugar na mesa, nas brincadeiras, na reza de todos os dias. Ela continuará se alargando para se aproximar de Deus e, de novo, pedir um pouco mais de amor. 

Dizem que ser mãe é sentir as dores do parto o tempo todo, talvez seja por isso que elas ligam de 10 em 10 minutos, têm pressa no encontro e vivem inventando desculpas para estarem perto dos filhos. Que sorte a nossa! Bem que podíamos perceber isso, né? “Nunca saberemos quando será a última vez. A despedida já pode ter acontecido” .

           

Fosse eu rei do mundo

Baixava uma lei:

Mãe não morre nunca

Mãe ficará sempre

Junto de seu filho

E ele, velho embora

Será pequenino

Feito grão de milho

 

Mãe é um porto seguro, é a certeza de que alguém te espera, seja no Monte Tabor, seja no Calvário. As mães estão sempre de sobreaviso: é a sua resposta mais segura, embora venha cheia de frases feitas e atrapalhadas. É porque mãe é oração, aquela mesma de todo dia. Ao lado dela, todos os almoços de domingo, todos os natais, todos os dias das mães parecem ser iguais. Aliás, todas as mães parecem ser iguais. 

Então, hoje, é dia de olharmos bem devagar os olhos de nossas mães. Eles são únicos, posso apostar! Quem sabe ela está na cozinha preparando o seu prato favorito. Quem sabe se levantou e está à espera daquela benção que quase nunca vem. Talvez ela até espera um elogio. Olhe nos olhos bonitos de sua mãe hoje. ELES SÃO ÚNICOS! Pode ser por meio de uma fotografia que você achou dia desses. Pode ser também via saudade. Se ela estiver pertinho, bem pertinho de Deus, dê um sorrisão bonito e tente também se aproximar dEle. Ela está intercedendo por você. MÃE É ORAÇÃO QUE NOS APROXIMA DE DEUS!

Só não deixe de encostar-se a esse colo que, por sorte, é seu. Se aproxime. Chega mais. O dia das mães só está começando. Ele pode ser, inclusive, amanhã. Só mais uma coisa: Mãe é para sempre e você tem a vida toda para rezar e viver essa oração. 

 

Andra Martins Ribeiro

Paróquia Nossa Senhora da Conceição

Campos Belos- Goiás

Diocese de Porto Nacional