JEJUM: SILÊNCIO QUE VIRA ORAÇÃO

Uma entrega concreta por amor.

A Sexta-feira Santa é um dia diferente. A Igreja silencia, os altares se despojam. E tudo nos conduz a um único lugar: a cruz. É o dia de parar e contemplar um amor que se entregou até o fim.

A Sexta-feira Santa não é o dia da derrota, mas “o dia da esperança que é maior; aquela que amadureceu na Cruz enquanto Jesus exalava o último suspiro”, entregando tudo nas mãos do Pai. Desde então, a morte não é mais a última palavra. É o lugar onde algo novo começa[1].

Para explicar isso, o Papa Bento XVI usou uma imagem que Jesus mesmo usou: a do grão de trigo (Jo 12, 24). Jesus é o grão que cai na terra, se despedaça, morre, e por isso pode produzir fruto. “Da profundidade da morte, eleva-se a promessa da vida eterna. Na Cruz, já brilha o esplendor vitorioso da alvorada do dia de Páscoa.” A cruz não é o fim da história.

Nesse dia, jejuar é participar desse mistério. É a nossa maneira pequena de entrar no caminho de Jesus e aprender, no próprio ser, que o amor de verdade passa pela entrega. O jejum nos tira do piloto automático e devolve a gente ao que realmente importa.

O Jejum da Igreja[2] qualquer pessoa pode fazer, inclusive quem tem alguma limitação de saúde, porque água e remédios não quebram o jejum. A proposta é simples: café da manhã leve mais uma refeição principal, sem exageros. A refeição que for pulada deve ser substituída por um lanche simples.

Além disso, é muito importante jejuar com intenção: escolha alguém, dê nome à sua oferta e transforme sua renúncia em caridade. Um familiar doente, um amigo que está sofrendo, uma pessoa que você sabe que precisa. Dê nome à sua oferta. O jejum será uma oração viva, concreta, endereçada.

Igualmente, exercitar: menos reclamação, mais silêncio.

A gente reclama muito. Cada vez que vier a vontade de reclamar, pare. Respire. Lembra que Jesus silenciou diante dos que o julgavam. O silêncio também é jejum. E às vezes é o mais difícil de todos.

Além disso, não vai comer aquela refeição? Que tal guardar o valor dela e dar para alguém que precisa de verdade? Não vai usar o celular por algumas horas? Use esse tempo para ligar pra quem está sozinho. O jejum que fica só dentro da gente é incompleto. Quando ele transborda para o outro, aí ele vira amor de verdade.

Desacelera o corpo e deixa a alma falar.

Tem uma coisa que o jejum faz que a gente não espera: ele acalma. Quando o corpo para de buscar o tempo todo, a gente começa a escutar o que estava abafado. Uma saudade. Uma culpa que precisava ser confessada. Uma gratidão esquecida.

Se tiver família, combina. Se tiver amigos de fé, convida. O jejum vivido em comunidade tem um peso diferente. A gente se sustenta mutuamente.

Pequenos gestos. Grande amor.

Na Sexta-Feira Santa, diante da cruz, a gente aprende que o silêncio não é vazio.

Que possamos, como família Segue-Me, viver a Sexta-Feira Santa de corpo e alma!

[1] VIA-SACRA NO COLISEU PALAVRAS DO PAPA BENTO XVI, Monte Palatino, Sexta-feira Santa, 2 de Abril de 2010. Disponível em: https://www.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/speeches/2010/april/documents/hf_ben-xvi_spe_20100402_via-crucis-colosseo.html

[2] https://formacao.cancaonova.com/liturgia/tempo-liturgico/quaresma/saiba-quais-sao-os-tipos-de-jejum/

 

Idalino Goularte Junior
Diocese de Jardim/MS
Paróquia Nossa Senhora Imaculada Conceição

 

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