As celebrações e o tempo litúrgico nos ajudam a aprofundar nossa fé e transcender para uma experiência que não cabe apenas no tempo humano, mas se completa quando vivida no tempo de Deus. É neste sentido que celebramos a Páscoa, ela não se limita apenas a um único domingo do ano, o tempo pascal será vivido durante sete semanas, um verdadeiro mergulho no mistério da ressurreição de Cristo.

Hoje é o 2º Domingo de Páscoa, também conhecido como Domingo da Divina Misericórdia. Ele passa a ser nomeado desta forma inspirado em um pedido especial que Jesus fez a Santa Faustina. Se você nunca ouviu falar sobre isso, convido a continuar a leitura para entender o grande presente que nós podemos ganhar neste dia.

Santa Faustina foi uma freira polonesa que recebeu abundantes graças do Senhor, e ficou conhecida pelas numerosas revelações e visões que teve de Jesus. A pedido de seus confessores, ela anotou toda a experiência em seu Diário.

É um livro riquíssimo em espiritualidade, no qual temos a oportunidade de ver o diálogo de Jesus com Faustina, e a preocupação dEle em nos ter perto de seu imenso amor. Um dos pedidos que Ele faz é que a Festa da Misericórdia seja no primeiro domingo depois da Páscoa, e em seguida explica o porquê desta celebração:

“Desejo que a Festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas, especialmente para os pecadores. Neste dia estão abertas as entranhas da Minha Misericórdia. Derramo todo um mar de graças que se aproximam da Fonte da Minha Misericórdia. A alma que se confessar e comungar alcançará o perdão das culpas e das penas. Nesse dia estão abertas todas as comportas divinas, pelas quais fluem as graças. Que nenhuma alma tenha medo de se aproximar de Mim, ainda que seus pecados sejam vermelhos como o escarlate.” (Diário, 699)

Para o nosso consolo, temos um Pai que não cansa de se preocupar conosco, que nos enche de esperança e deseja acolher nossa alma cansada em seu coração transbordante de amor.

A nossa caminhada de fé neste mundo é repleta de erros e acertos, por vezes fazemos escolhas que nos afastam de Deus, e tantas outras decidimos por retomar os laços de intimidade com Ele. O Domingo da Divina Misericórdia pode ser uma ótima oportunidade para essa reaproximação, pois você é chamado pelo nome a fazer parte dessa celebração, o próprio Jesus te convida a se abrigar em seus braços misericordiosos.

No intuito de vivermos com piedade intensa este dia, o Papa João Paulo II estabeleceu que este domingo seja enriquecido com a Indulgência Plenária. Foi um verdadeiro presente para todos os fiéis, pois assim alcançam o perdão das culpas e das penas. Confira o que é necessário para recebê-la:

“Concede-se a Indulgência plenária nas habituais condições (Confissão sacramental, Comunhão eucarística e orações segundo a intenção do Sumo Pontífice) ao fiel que no segundo Domingo de Páscoa, ou seja, da “Misericórdia Divina”, em qualquer igreja ou oratório, com o espírito desapegado completamente da afeição a qualquer pecado, também venial, participe nas práticas de piedade em honra da Divina Misericórdia, ou pelo menos recite, na presença do Santíssimo Sacramento da Eucaristia, publicamente exposto ou guardado no Tabernáculo, o Pai-Nosso e o Credo, juntamente com uma invocação piedosa ao Senhor Jesus Misericordioso (por ex., “Ó Jesus Misericordioso, confio em Ti”).” (Decreto da Penitenciaria Apostólica de 2002)

A todo tempo a igreja nos conduzviver em comunhão com Cristo, que possamos de coração aberto percorrer com humildade o caminho que nos leva para Ele. Não é uma estrada de perfeição, mas sim de reconhecimento de que nada somos e nem merecemos, senão por pura misericórdia divina.

Lembremo-nos sempre do que Jesus disse a Santa Faustina: “Fala ao mundo da Minha misericórdia, que toda a humanidade conheça a Minha insondável misericórdia. Este é o sinal para os últimos tempos; depois dele virá o dia da justiça. Enquanto é tempo, recorram à fonte da Minha misericórdia” (Diário, 848).

 

Savina Camelo

Paróquia Santa Catarina Labouré

Arquidiocese de Maceió/AL