Replicou-lhe o pai: Filho, tu sempre estás comigo, e tudo o que é meu é teu; entretanto cumpria regozijarmo-nos e alegrarmo-nos, porque este teu irmão era morto e reviveu, estava perdido e se achou.” (Lc 11, 32).

Neste domingo (08/08/21) celebramos o Dia dos Pais. Palavra com origem no latim pater, o conceito da palavra “Pai” vem sofrendo mutações ao longo dos anos. Todavia, em que pese o conceito e representação da palavra terem modificado, permanece perene a ideia de uma figura que ama, incondicional e ilimitadamente. 

A figura paterna, historicamente, foi ligada a uma pessoa que é provedora material da família: o responsável por manter a mesa e o sustento da casa. Uma figura por vezes isolada do convívio e do amor familiar, que deveria impor a ordem, cuja palavra era sempre a última a ser dita e uma lei a ser obedecida. 

No entanto, a modernidade e a evolução trouxeram novos conceitos à figura paterna. Pai também é cuidado, carinho e amor. Pai é devoção diária para seus filhos. Figura a quem devemos nos espelhar para sermos, também, espelhos. Pai é companheiro. Pai permanece. Pai é perene, é eterno.

A figura paterna de São José desperta em nós a resiliência e obediência do Cristão. Deus, que é Pai, nos ama incondicionalmente. Nos alenta quando não estamos nos pódios da vida. Quando achamos que não merecemos, em nossa sarjeta espiritual, Deus está lá, assim como nossos pais terrenos, que continuam a nos acolher e nos amar. Quanto mais miseráveis somos, maior o amor de Deus e de nossos pais por nós. 

A pandemia da COVID-19 ainda não acabou e já deixa um questionamento infactível: quem cuidará de nossos órfãos? Quantas crianças e jovens não ficaram e ficarão sem seus pais, figura terrena que nos indicam o caminho de Deus? Enquanto cristãos, temos dever moral com essas crianças que, por algum motivo, não têm mais a figura de um pai para seguir seus passos. 

Enquanto sociedade, temos um dever cívico de continuar mutando o conceito de “pai”, para que todos possam sentir a benção que é chegar em casa e ter um abraço, um conselho, e um afago só para si; a graça que é ter em casa um deus próprio, um realizador de desejos e sonhos, tão próximo, ao alcance de nossas mãos: nossos pais. 

Em meio a tantas vidas e sonhos perdidos, agradecemos a Deus por ser um Pai tão bom. Um Pai que nos ama em nossas misérias. Agradeçamos aos pais terrenos, ainda que estejam no céu, cuidando de nós. Agradeçamos, especialmente, àqueles que assumiram a paternidade por amor e vocação, e não por biologia: os pais adotivos e os que, mesmo não sendo pais de direito, os são de fato, nos amam na mesma proporção e fazem tudo por nós. 

A Parábola do Filho Pródigo demonstra o quão grande é o amor de Deus e o quão grande pode ser o amor de um pai. Mesmo tendo sido abandonado por seu filho. Ainda que seu filho se desfaça de todos os seus bens materiais e desonre sua família. Apesar de tudo, o amor de um pai é incondicional. É capaz de perdoar, pois perdoar é amar. Não guarda esse amor só para si, ensina seus filhos a partilharem, ainda que sejamos imaturos para entender o que, de fato, é amar.

Espero que possamos voltar à Casa do Pai, também, às casas dos pais. Reconheçamos nossas limitações, enquanto filhos e pais. Que o amor possa reconciliar as famílias que por algum motivo estão em conflito. Que a solidariedade reconstitua as famílias que foram destruídas e sigamos nossa vocação maior: amar uns aos outros assim como Deus nos amou. 

Por fim, parabenizo todos os pais que abraçaram com carinho esta divina missão. Vocês são referências para seus filhos e sobrinhos. Deus os abençoe.

Maceió, 08 de agosto de 2021.

 

Raul Messias Lessa
Arquidiocese de Maceió/AL
Paróquia de Santa Catarina Labouré