“Se não cuidarmos uns dos outros, começando pelos últimos, os mais afetados, não seremos capazes de curar o mundo” (Papa Francisco)

Cansar de viver! Seria possível não aguentar mais o maior dom que Deus nos concedeu? Sim e muito. Deixar de fazer coisas que gostamos, considerar cansativo tudo o que antes dava prazer e muitas outras situações vão muito além da visão mesquinha e simplista de quem acha que se trata de preguiça ou, acima de tudo, frescura.

No fim do dia, nada de bom. Apenas cansaço. Não enxergar nada de bom em si, nem no que faz e entrega. A mente cansada não consegue mais deixar o corpo, também fadigado, ativo. Parece o fim, mas não é. Sempre é importante lembrar que há saída. Contudo é preciso olhar para dentro e ao redor.

Nesta panela de pressão em que vivemos, com rotinas cada vez mais cheias e malucas, muitas vezes não há tempo de entender o que se passa com o nosso próprio organismo. Cenário grave, causando problemas na mesma proporção. O esgotamento mental é uma realidade que atinge cada vez mais pessoas de todas as idades e elas não sabem. Estão esgotadas demais para isso.

Viver é uma competição desleal. Tudo avança com uma rapidez inalcançável, as exigências impostas seguem a mesma medida, tudo muda, acontece e ninguém consegue acompanhar. É bom lembrar que o esforço, a dedicação e o trabalho árduo sempre foram – e são – a chave para uma vida honesta e de sucesso. O problema é quando isso vira um problema.

O desejo de “dar conta” de tudo, de ser o melhor, de fazer várias atividades ao mesmo tempo vira uma obsessão e depois, medo. Medo de não corresponder às demandas do mundo frenético em que estamos inseridos, de não ficar em primeiro lugar toma o ser. Tudo isso cansa e o caminho tomado, geralmente, é o pior: ao invés de cansar-se do modo de vida, se cansa da própria vida.

Fato é que não é bom viver assim. A exaustão transforma as pessoas. O prazer dá lugar à obrigação e o ciclo se fecha. A realidade exige atenção, empatia e cuidado.

Atenção de todos nós. Por mais que a rotina pareça nos deixar sem tempo, ele sempre existe. Parar um pouquinho e perceber o quanto estamos diferentes e porque estamos alterados. O que tem tirado nossa felicidade, nosso ânimo e a vontade de viver. Lembre-se, sempre há saída.

Empatia de todos nós. Felizmente não são todos que passam pelo esgotamento e, aos que estão bem, é necessário perceber o que fere o amigo. Notar mudanças nas pessoas amadas e sempre estar de prontidão para auxiliar nesses momentos. Deixemos o julgamento para depois e pratiquemos a ajuda. A perspectiva do nosso umbigo sempre é mais agradável e branda. Lembre-se, sempre há saída.

Cuidado de todos nós. Um texto pode te despertar para que preste atenção em situações que possa estar passando e te levar a uma análise íntima. Porém existem profissionais especialistas em saúde mental que prestam serviços maravilhosos e eficientes para estas ocasiões. O primeiro passo estamos fazendo aqui, falar sobre isso. Com atenção para o que passamos, empatia das pessoas próximas e o cuidado necessário podemos reconduzir o prazer de viver ao posto tomado pela exaustão.

Entendendo as nossas fraquezas, precisamos nos voltar também para Deus. Quase sempre é d’Ele que nos esquecemos primeiro, cansamos primeiro e voltamos por último. A paz que o mundo não dá, e tira, está eternamente em Deus. Ele que nos deu corpo, mente e alma para bem usarmos como templo.

“Ou não sabeis que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus”. (1Cor 6, 19-20)

Remar contra a maré. Ser Cristão é ser diferente. É ser aquele que consegue realizar uma autoavaliação, ser o amigo atento e prestativo que nota a diferença no outro e aquele que sabe, sempre há saída.

 Michael Franco

Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora

Arquidiocese de Campo Grande – MS