“Uma educação eficaz apoia-se na razão, na religião e na bondade”

(São João Bosco)

Fraternidade e Educação, foi o tema escolhido para nortear as reflexões da Campanha da Fraternidade de 2022, trazendo à tona um assunto fundamental e que é bastante recorrente na história da tradição cristã e pouco analisado, de modo que a Comissão Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) acerta em cheio na escolha de um tema tão relevante.

No Brasil, de modo especial, a História da Educação se confunde com a História da Igreja. Com a chegada dos portugueses ao país, vieram também os frades jesuítas, com o propósito de apresentar a fé cristã aos povos indígenas que aqui se encontravam, e instruir e orientar os próprios colonizados nas práticas do dia a dia.

Em nosso país, tivemos grandes educadores católicos, sendo um dos mais proeminentes São José de Anchieta. Ele foi um dos grandes estudiosos das línguas indígenas brasileiras e ganhou reconhecimento pelo seu incansável trabalho educativo, onde estava sempre a instruir o povo brasileiro na verdadeira doutrina. Dessa forma, também foi o responsável pela abertura de dezenas de escolas, em uma época que quase ninguém se importava com a educação[1].

O zelo que São José de Anchieta teve com a educação era novidade no Brasil, todavia, era algo muito comum para a Igreja. Ao longo dos séculos, a Igreja manteve sua preocupação em instruir as pessoas do melhor modo possível, mesmo que essa educação se limitasse – quase que exclusivamente – aos padres e membros de ordens religiosas.

Não se sabe precisamente a data, mas no século XII, a Igreja inaugura universidades muito semelhantes as que conhecemos hoje, que, nas palavras do historiador Lowrie Daly, “era a única instituição na Europa que manifestava um interesse consistente pela preservação e cultivo do saber” [2]. Isso se confirma com o tardio interesse de implantação de um sistema de ensino nos Estados Modernos.

Não é sem motivo que a Igreja vêm há tantos séculos se dedicando na promoção da educação. O ensino é repassado de modo natural entre os homens, e Deus, por várias vezes, nos relembra desse elemento de nossa natureza. A passagem bíblica escolhida como lema da Campanha retrata esta realidade, que devemos “[falar] com sabedoria e [ensinar] com amor” [3].

Mesmo a educação sendo algo fundamental, o processo formativo, que vai muito além do ensino formal, é neglicenciado. Quem fez este alerta foi Papa Pio XI [4], ao falar que os sistemas educacionais modernos são precários e carecem da formulação de princípios claros para que seja alcançada uma educação de excelência.

Nas palavras do Papa Pio XI, “não pode dar-se educação adequada e perfeita senão a cristã”, pois o objetivo primário da educação está “na formação do homem, como ele deve ser e portar-se, nesta vida terrena, em ordem a alcançar o fim sublime para que foi criado” [5], deste modo, todo o povo cristão deve-se voltar com cuidado para a educação fornecida, especialmente para as crianças.

 

Wallyson F. Lira

Paróquia Nossa Senhora das Dores

Diocese de Crato – CE

 

Notas:

[1] As informações aqui apresentadas e muitas outras informações sobre a vida deste Santo podem ser consultadas pelo biografia A Vida do Padre José de Anchieta, escrita pelo Padre Pedro Rodrigues.

[2] Lowrie Daly em The Medieval University.

[3] cf. Pr 31:26

[4] Papa Pio XI na encíclica Divini Illius Magistri.

[5] Idem.