O Santo Rosário é, talvez, o instrumento mariano mais presente na vida dos católicos da atualidade. Ele tem a graça de nos levar para próximo do Divino, nos fazer, em pequenas quantidades, santos enquanto fazemos nossas orações. Sua origem ainda é incerta, não há consenso, mas sabe-se que cada pedaço deste belíssimo ato de amor é bíblico e foi dado por Maria, mãe de Jesus, para todos nós, seus filhos de coração.

Pacheco (2010)¹, em seu artigo “A origem branca da devoção negra do Rosário”, arrisca-se em tentar definir a origem como a construção simbólica do Rosário para o homem medieval; ao costume de monges rezarem 150 salmos bíblicos por várias horas do dia, e alguns monges – por serem analfabetos – preferiam rezar a oração da “ave-maria”, dividindo-a em três grupos de 50.

Contudo, prefiro ficar com a simplicidade de Anne Vail (1998)², quando afirma que certa vez ouvira na rádio a palestra de um eminente psiquiatra sobre como encontrar paz e equilíbrio mental para lidar com os problemas da vida moderna. Na explicação, o profissional explicou que o método envolvia o relaxamento do corpo, concentração da mente em um assunto digno de reflexão infinita e a repetição de uma fórmula ou mantra. Disse a autora: “Distraída, pensei: ‘Sim. Aprendemos isso com as freiras quando éramos crianças. Chama-se Rosário”.

Ainda, de acordo com Vail, a palavra “Rosário” vem da origem “coroa de rosas”. Esse costume ainda é seguido atualmente, com a oferta de Rosas à Maria em diversas orações do Santo Terço Brasil afora. De acordo com o Blog Todos de Maria (2016)³, a origem mais remota do Santo Rosário vem do mistério da Anunciação, com a saudação do arcanjo São Gabriel: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo”. Já a segunda parte, foi definida no Concílio de Éfeso, no ano de 431, pelo Papa Celestino I: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte”.

Voltemos ao início do texto, sobre as incertezas da história do Santo Rosário. Porém, há um a concordância sobre a importância de São Domingos. No século XIII, enquanto lutava contra a heresia, já desesperado, foi a um bosque para suplicar, quando, depois de três dias de oração, Nossa Senhora apareceu a ele e disse que a melhor arma da Santíssima Trindade para mudar o mundo era rezar o Rosário. Até os dias atuais, a oração do Rosário e/ou do Terço continuam mudando vidas de quem reza e por quem se reza.

É digno de nota informar que em 2002 foram acrescentadas 50 ave-marias no Rosário, totalizando 200 orações. Contudo, o “Terço” continua sendo chamado assim, pela sua tradição já centenária na Igreja Católica. Independente do modo como seja chamado, o fato é que atualmente é rezado sempre nos pós-encontros do movimento Segue-me. Há quem faça pós-encontro somente para rezar o terço e/ou o Rosário; há quem os reze antes de encontros; há seguidores que os rezam diariamente. O Terço é instrumento presente na vida de qualquer católico que quer mudar o mundo pela oração.

Em várias aparições, a Santíssima Virgem recomendou insistentemente que rezássemos o Rosário pela conversão e salvação dos pecadores³. O Santo Terço está em total harmonia com a mudança necessária no mundo de hoje, onde o supérfluo ganha status de prioridade, a vida já parece não ter mais valor e a liturgia é desprezada. Rezar o Santo Rosário é ter uma intimidade ainda maior com a Virgem Maria; é oferecer Rosas a quem se doou como serva de Deus e entregou seu caminho a Ele. Se queremos ter proximidade com Jesus, não podemos, sob nenhuma hipótese, nos afastarmos de Sua mãe. Devemos estar cada vez mais conectados com ela, na fé de que ela nos escuta e intercede por nós. Se acreditarmos que a oração pode mudar o mundo, o Santo Terço será nosso maior aliado nesta mudança.

Por fim, devemos voltar à nossa infância, quando crianças, desprotegidas e carentes de colo, procurávamos no colo de Maria nosso abrigo. Padre Zezinho eternizou a realidade dos filhos de Maria na música “Maria de minha Infância”. Ao contar a história de uma criança que rezava apressado e que dormia, mas “dormia como quem amava”. Com o crescimento vem a rebeldia, prepotência e o afastamento de Deus, de sua mãe e consequentemente do Santo Terço. Todavia, os caminhos nos levam para os braços da mãe de Jesus; e, como mãe, ela nunca nos abandona, crescendo conosco em estatura e graça.

“Nas Ave-Maria que hoje eu rezo;

Esqueço as palavras e adormeço;

E embora cansado, sem rezar como eu devo;

Eu de ti Maria, não me esqueço”

 

Raul Messias Lessa

Arquidiocese de Maceió/AL

Paróquia de Santa Catarina Labouré

15 de outubro de 2019.