O dia dedicado a São João Bosco ganha um significado ainda mais profundo quando olhamos para experiências como o Segue-me — Encontro de Jovens com Cristo. Aquilo que Dom Bosco viveu no século XIX continua acontecendo hoje: jovens sendo chamados pelo nome, acolhidos em suas dores, dúvidas e sonhos, e conduzidos a um encontro pessoal com Deus.
Dom Bosco entendia que o jovem não precisa apenas de regras, mas de experiência. Ele criou ambientes onde o coração pudesse se abrir. O oratório que fundou era muito mais que um espaço físico — era um lugar de pertencimento, escuta, amizade e fé viva. O Segue-me carrega exatamente essa mesma lógica espiritual: não é apenas um evento, mas um ambiente de encontro, onde o jovem percebe que não está sozinho e que sua vida tem valor e direção.
O método de Dom Bosco — razão, religião e amor — aparece de forma concreta nesse tipo de encontro:
Razão, quando o jovem é levado a refletir sobre sua própria vida, escolhas e futuro.
Religião, quando ele é conduzido à oração, à Palavra, à Eucaristia e à reconciliação.
Amor, quando é acolhido sem julgamentos, abraçado em suas fragilidades e tratado com dignidade.
O Segue-me realiza algo que Dom Bosco considerava essencial: aproximar o jovem de Cristo através de relações verdadeiras. Antes de ensinar doutrina, ele conquistava o coração. Da mesma forma, no encontro, muitas vezes o jovem chega distante da Igreja, ferido por situações familiares, vícios, inseguranças ou vazio interior — e é ali, no clima de fraternidade, testemunhos e espiritualidade, que ele descobre que Deus já estava o procurando.
Dom Bosco dizia que basta que o jovem saiba que é amado para começar a amar. O Segue-me é esse anúncio vivido: você é amado por Deus. E quando o jovem descobre isso, nasce dentro dele um novo olhar sobre si mesmo, sobre os outros e sobre a vida. Não é apenas emoção passageira; é semente de conversão, vocação e maturidade cristã.
Celebrar São João Bosco, portanto, é reconhecer que cada encontro juvenil bem vivido é continuação da sua missão. Cada jovem que sai renovado, reconciliado com Deus, com a família e consigo mesmo é fruto do mesmo carisma que o movia.
Dom Bosco acreditava que os jovens são a parte mais sensível e promissora da sociedade. O Segue-me mostra que, quando a Igreja investe na juventude com proximidade, alegria e espiritualidade profunda, os frutos aparecem: jovens mais conscientes, mais firmes na fé e mais dispostos a viver para algo maior que si mesmos.
Assim, o carisma de Dom Bosco não pertence ao passado ele respira em cada encontro, em cada retiro, em cada momento em que um jovem escuta, no fundo do coração, o convite de Cristo: “Segue-me.”
Leonardo Bruno e Lorena Moreira Paróquia Nossa Senhora Aparecida e Santa Edwiges Arquidiocese de Goiânia